China X EUA: impactos do acordo comercial

O acordo comercial entre China e Estados Unidos da América (EUA) impacta diversos setores do Brasil, já que estamos falando dos dois países mais influentes do mundo. Neste artigo, iremos discutir sobre as consequências desse momento histórico no mercado de comércio exterior e para o âmbito econômico brasileiro.

No final de 2019, fizemos uma retrospectiva sobre os principais acontecimento desse ano tão turbulento e não podíamos deixar de falar sobre o acordo comercial entre China e EUA.

Com uma oferta de paz, China e Estados Unidos assinaram um acordo no dia 15 de janeiro de 2020 que diminuiu as tensões no comércio global, mas será que é positivo para o Brasil?

O que foi decidido no acordo comercial?

Diferente do que havia sido anunciado, não houve a suspensão de impostos e tarifas sobre produtos chineses importados pros EUA, mas sim, uma diminuição. Os EUA também não cumpriu o compromisso de não aumentar ou incluir tarifas em seus produtos que ainda não são tarifados.

Do lado chines, não houve um compromisso maior sobre a proteção de propriedade intelectual produzida por empresas americanas e a expectativa é que, numa segunda fase desse acordo, isso venha a ser negociado junto com uma abertura maior do mercado chinês. Na primeira fase do acordo, não há garantia prática de abertura para companhias americanas ou de outros países.

A redução de investimentos em ambos os países era um dos principais motivos para a disputa comercial, por isso, a China terá de comprar USD 200 bilhões de produtos americanos nos próximos 3 anos. Existe também uma cláusula em que prevê a compra chinesa de US$ 50 bilhões em commodities americanas, isso significa que veremos implicação no agronegócio brasileiro.

Quais são os impactos do acordo comercial para o Brasil?

Em 2019, com as constantes provocações entre as duas maiores economias mundiais, a China passou a priorizar a compra de commodities agrícolas brasileiras. Segundo o Ministério da Economia, no ano de 2019, as exportações de soja para a China atingiram US$ 27,2 bilhões (34,1% a mais do que no ano anterior).

Em retaliação às tarifas adotadas pelos Estados Unidos no ano passado, o volume que os chineses passaram a comprar do Brasil ao longo de 2019, reflete cerca de 5% do valor exportado pelo Brasil no ano de 2018 (cerca de US$ 223 bilhões).

Desse total, US$ 32 bilhões são de produtos agrícolas como carne, soja e outros grãos, itens tradicionais da pauta exportadora do Brasil à China. Ou seja, o agronegócio pode ser afetado por conta da diminuição da exportação do Brasil para os chineses.

Nas contas do economista-chefe para América Latina da consultoria inglesa Oxford Economics, Marcos Casarin, há um risco para US$ 10 bilhões em exportações brasileiras. Menos compras de soja por parte da China significa menos entrada de dólares no Brasil, aumentando a pressão sobre o câmbio.

Em resumo, as previsões são para que o número de exportações brasileiras para a China diminuam drasticamente porque, a partir da assinatura do acordo, a China retornará as exportações dos EUA – o que pode ser negativo também para o câmbio brasileiro.

Apesar disso, o acordo entre EUA e China favorece os mercados globais porque gera uma expectativa positiva em investidores – o que pode resultar numa alta da bolsa de valores.

O que fazer agora?

Agora, só podemos aguardar para ver as próximas fases do acordo comercial entre os dois países. A recomendação é que você continue buscando informação para poder tomar as melhores decisões, independente do cenário. Recentemente, a Royal Cargo lançou um podcast quinzenal que conta com a participação de especialistas do mercado de logística, economia, tecnologia, administração e várias áreas para discutir sobre o que está acontecendo no mundo, principalmente no Comércio Exterior.

Acesse aqui para saber o que os principais especialistas estão dizendo sobre os acontecimentos recentes.


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Nina Pollete

Escrito por: Nina Gonçalves Polette

Nina é estudante de relações internacionais na Universidade do Vale do Itajaí – Univali. Fez intercâmbio em Montreal, no Canadá, e fala a língua inglesa e francesa. Atualmente, auxilia no setor de Inteligência Logística da Royal Cargo do Brasil.

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