Como o comércio exterior pode ajudar na retomada da economia pós-pandemia?

A pandemia da Covid-19 pegou os países de surpresa, surgindo a necessidade de atitudes emergenciais para o controle da contaminação pela doença, assim como equilíbrio das economias. 

Nesse contexto, o comércio exterior se mostrou necessário para a oferta de produtos hospitalares e alimentícios essenciais, criando novas formas de agir com urgência para abastecer locais que ainda contam com medidas de isolamento social. Mas como deverá ser realizada a retomada da economia no cenário pós-pandemia? Entenda a seguir.

Retomada do crescimento

Agora, com a contaminação de Covid-19 sendo controlada aos poucos ao redor do mundo, analistas já buscam alternativas para a retomada do crescimento das economias. Porém, acredita-se que não apenas o governo deva agir diretamente para equilibrar a economia, mas também o próprio mercado por conta de seu potencial de produção, buscando novos caminhos para o crescimento econômico.

Para o professor Marcos Antonio de Andrade, autor do artigo fonte desta matéria, voltando novamente os olhos para o governo brasileiro é preciso também voltar a pensar nas reformas e processos de privatização, assim como investimentos públicos em obras de infraestrutura e financiamento para o desenvolvimento tecnológico do setor privado.

Comércio exterior brasileiro

O comércio exterior brasileiro sentiu uma desaceleração no volume de negócios durante a pandemia, assim como ocorreu nos mercados estrangeiros. Porém, ao observar outros países na Ásia e Europa, já é possível vislumbrar o retorno ao crescimento, já que estes países têm consolidado sua retomada econômica aos poucos.

“Não podemos nos esquecer que haverá significativas alterações no fluxo de comércio, medidas protecionistas como, ações não tarifárias e até mesmo descumprimento de acordos comerciais, provavelmente, devem ocorrer. Mas não o suficiente para provocar abalo na confiança de alguns setores específicos de mercado como commodities agrícolas e metálicas”, salienta o professor Marcos Antonio de Andrade.

Esses insumos, comumente exportados pelo Brasil, são de grande importância para o desenvolvimento e fortalecimento de atividades voltadas ao mercado interno e para a melhor participação brasileira no mercado globalizado.

O agronegócio como força na exportação

Hoje, uma das principais dificuldades do exportador brasileiro, é cumprir exigências rigorosas, muitas vezes extremas, no padrão de certificação sanitária de nossos produtos – o que é solicitado por diversos mercados que compram do nosso agronegócio.

Há alternativa para empresas brasileiras como o Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (OEA-Agro) que auxilia no reforço da confiabilidade frente à cadeia logística e atende a regras e padrões de certificação sanitária, também desburocratizando processos. Fazem parte o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional – Vigiagro e Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa.

Com a pandemia, ficou claro que mercados não podem depender de uma única fonte exportadora para produtos essenciais, pois esta mesma fonte pode ficar sobrecarregada em tempo como o que estamos passando. Consequência disso é que os mesmos mercados que têm altos níveis de exigência flexibilizem esses parâmetros para poder ampliar sua gama de fornecedores, especialmente no caso de produtos essenciais, que são o forte da exportação brasileira.

Novos acordos globais

Diversos países colaboraram com muito mais frequência e proximidade durante os picos de pandemia, trocando informações e tecnologia para o controle da Covid-19. É provável que essa prática se mantenha, com a aproximação de países para benefício mútuo.

“Não podemos nos esquecer que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia está em fase de ratificação. Existe algumas questões principalmente em relação a Argentina, ainda pendentes, mas esse momento ‘emergencial’ pode servir como ‘âncora’, para que essas questões, principalmente, as relacionadas à segurança da cadeia logística e vigilância sanitária possam ser equacionadas por meio das alternativas propostas dentro do programa OEA-Agro”, explica Marcos Antonio de Andrade.

Apesar dos indicadores da OMC mostrarem que o comércio internacional deverá crescer menos que as economias globais, é importante lembrar que grandes parceiros brasileiros como a China, EUA e Europa continuam interessados em nossos produtos, o que deve manter um certo equilíbrio para o comércio exterior do Brasil. Isso fica claro observando o indicador de que, entre janeiro e abril de 2020, 67% das exportações do Brasil foram commodities. 

Com o controle da doença, aos poucos a economia volta a se estabilizar, com a população retomando seu poder de compra e os mercados voltando a investir em produtividade, inovação e tecnologia. Como uma reação em cadeia, todos os setores vão se restabelecendo e adaptando a nova realidade pós-pandemia, tanto no cenário brasileiro quando no cenário internacional. 

Fonte: Jornal Contábil

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